Mostrando postagens com marcador Maria Gadú. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maria Gadú. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de junho de 2012

Castelos


Veja meu amor que pressa
A gente tá partindo cada um prum canto
Mesmo me seguindo
Vai passar tão longe de mim
Veja meu amor quão longe era o nosso amor
Nem de longe foi como se acreditou
Eram tais promessas demais
Deixa
O tempo varre a cada amanhecer
Um pouco de mim, um pouco de você
Deixa o amor em paz, deixa ele não ser
Sinto que essas coisas têm que ser assim
Menos de você, um pouco mais de mim
Toda chama apaga quando chega ao fim
Roda essa dança, roda no salão
Balança a saia e minha direção
Cuidado ao vento, não se afasta não
Enquanto ela roda a dança
Roda tanto, tanto o meu coração
Olha
O meu bem ninguém sabe ao certo quem eu sou
Quem me cala o pranto é a mesma dor
Que me afoga os dias a sós
Deixo
A coleção de tudo que eu te dei
Um dia desses sou de novo o rei
Desses castelos de um sonhador. 

Maria Gadú

Valsa

Tua alegoria já não abre alas
Pra toda poesia que insiste em bater
Nos tambores surdos da porta que cerras
Pra chorar sozinha por tanto querer

Teu amadorismo impõe tal carência
Não sou da cadência, não sou de valor
Você é rara, no mundo
Só dance essa valsinha se preciso for
Eu tento trair, não me cabe a culpa

Abra logo a tua porta
Minha vã certeza vai te embargar
Sigo distraída, a tal impureza
Mas é carnaval de novo, você se dissolve
E a saudade aumenta

Não precisa o amor
Não precisa o abraço, não te cobre o laço
Que não cobre o som

Teu grito arde, invade, a casa
E as palavras calam no meu coração.

Maria Gadú